29 de julho de 2010

Sexto sentido

Numa noite agradável de reunião entre grandes amigos, é sempre possível que o calor de uma discussão acarrete alguns imprevistos.

O caso foi em minha casa. O tema era espiritualismo, Espiritismo e religião. Tema profundo. O debate estava deveras interessante, mas, em determinada hora, este passou a ter um caráter cada vez mais sério. Praticamente só duas pessoas falavam (eu era uma delas). O Shan, quando tem casa cheia, fica bem contente, por poder se fazer de "pidão" para brincar com várias pessoas. Porém, naquela noite, não havia atenção nenhuma para ele. Ele estava quieto, andando para cá e para lá, como se não entendesse por que é que ele não recebia atenção, mesmo com tanto barulho na sala...

Por minha parte, os ânimos estavam cada vez mais exaltados, devido à profundidade e importância que eu dava para aquele diálogo. No momento em que eu ia recomeçar a colocar meus argumentos em pauta, com o sangue já fervendo nas veias, eu ouvi latidos fortes e, por que não dizer, arrepiantes, vindos do meu quarto. Eu nunca tinha ouvido o boxer latir daquela maneira. Em um segundo, eu parara de falar e estava em meu quarto. O Shan estava deitado, perto da minha cama, com uma cara de assustado. A mensagem era clara: era hora de parar com aquele debate.

Como agradecimento àquele aviso sobrehumano, deitei no chão do meu quarto com ele e, em silêncio, nos dispomos a dar uma cochilada de serenar mentes e corações...

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